Temer: Ao invés de diálogo, o confronto

Temer dá posse ao novo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun

Temer errou: ao invés de dialogar, preferiu o confronto, apelando para o Exército. Só depois do fracasso, resolveu atender aos pedidos dos caminhoneiros. Felizmente os militares têm mais juízo que o presidente. Eles criticaram a demora governamental. Um integrante do Alto Comando das Forças Armadas disse ao Estadão, (28/5) sob a condição de anonimato, que o governo jogou a crise “no colo” deles de novo, como quando foi decretada a intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro.

Segundo esse militar, “as medidas foram tomadas de afogadilho (sic), deixando claro para o país a sensação de que tudo está dando errado”, acrescentando: “De acordo com vários dos integrantes da cúpula [militar] consultados, o governo parece “estar perdido” (sic). Ainda segundo o jornal: “Os militares dizem que estão à disposição para ajudar, sempre dentro do respeito aos preceitos constitucionais (sic) e agindo a pedido do Planalto, e não por iniciativa própria”. Ou seja, o erro é do governo e não dos militares!

Caminhoneiros e alguns setores da direita pedem a “intervenção (Golpe) militar”. Isto também aconteceu em 1964. No início uma parte da sociedade também pediu a intervenção militar. Depois se arrependeram. No meu livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, à página 233, consta do meu artigo “Golpe: De popular a antipopular”. No texto transcrevo essa opinião do jornalista e escritor Carlos Heitor Cony (falecido em 5/1/2018, aos 91 anos): “Militares, empresários, a Igreja Católica ainda não dividida, jornais [Estadão, Folha, Globo e outros], revistas, emissoras de rádio e TV e, finalmente o povo em geral, todas as expressões da alma brasileira estavam a favor do golpe”. Mais tarde, Cony constatou: “Evidente que as barbaridades (sic) do novo regime, gradualmente aumentadas, criaram o repúdio (sic) consensual ao regime então instaurado”, culminando com as “Diretas Já”, o marco da redemocratização”. Na Igreja, o cardeal Paulo Evaristo Arns participou da “Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade”. Depois ele rompeu com o Golpe, explicando o motivo, depois de, em 1970, visitar no Dops os presos políticos: “Entrei e conheci as pessoas torturadas. Eram tantas. Saí de lá, dizendo: “Não é possível conviver com um regime que tortura”. Ele escreveu um livro “Brasil, Nunca Mais”, relatando casos horríveis de tortura. Quem lê o livro, não defende uma intervenção (Golpe) militar. Isto eu garanto!

Na Cerâmica Martini, trabalhei com o Capitão do Exército Ronaldo Bittencourt Martins (diretor de Relações Públicas), de Campinas. Ele sabia que fui preso em São João, após o Golpe de 64. Conversávamos sobre o assunto. O Capitão Ronaldo me contou que não podia sair fardado porque era hostilizado. Esta era a situação quando o golpe se tornou impopular, como descreveu Cony.

Aqueles que hoje pedem a intervenção (golpe) militar precisam conhecer 

fatos. Assim, eles perceberão que estão equivocados ao pedirem o golpe. É por essas e outras razões (naquela época existia corrupção, mas era desconhecida por causa da censura), que meu lema é “Ditadura, Nunca Mais”.

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu